A LUTA CONTINUA

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SEJAM BEM VINDOS!!!...

CAMPOS DOS GOYTACAZES/ RJ, A LUTA CONTINUA!...

sábado, 19 de fevereiro de 2011

PROJETO "REGISTROS E DIÁLOGOS - TECENDO A IGUALDADE"


Elizabeth Rosário (presidente da UBM/Campos) e Helena Piragibe (presidente da UBM/RJ)

A UBM/CAMPOS, tendo na direção Elizabeth Rosário, trouxe a Campos sexta feira (11), a equipe vinda do Rio juntamente com Irene Cassiano (representante da UBM/RJ), para a realização do projeto "Registro e Diálogos - Tecendo a Igualdade", projeto concretizado através de emenda do então deputado Edmilson Valentim.
O projeto "Registro e Diálogos - Tecendo a Igualdade" é uma iniciativa do SEAC, Sociedade Educacional e Ação Comunitária e da UBM, União Brasileira de Mulheres através do incentivo da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, do Governo Federal.
O objetivo do projeto é realizar o registro em audiovisual no formato de documentário e divulgá-los nacionalmente, através da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, a fim de incentivar e divulgar tais iniciativas.
O documentário será lançado em maio de 2011 e todos os projetos registrados serão contemplados com cópias do mesmo.


                                                                 
                                                 Emília, diretora da CAPI




A CAPI (CASA DE AMPARO E PROTEÇÃO DO IDOSO) na direção de Emília, localizada em Goitacazes, foi contemplada para a realização deste evento. Várias mulheres estiveram presentes.
Algumas entrevistas foram realizadas para complementação do projeto, onde idosos frequentadores da casa demonstraram a gratidão pelo trabalho realizado pela fisioterapêutica Cristiane e da Diretora da casa Emília.




O trabalho da CAPI é realizado com a ajuda de alguns guardiões (pessoas voluntárias na comunidade local). Apesar das dificuldades, o trabalho não deixa de ser realizado.


A UBM/CAMPOS começa uma parceria com a CAPI.
Lucimara diretora das mulheres Quilombolas esteve prestigiando o projeto. Gostaríamos de agradecer a todos os participantes por sua presença.
Esperamos que o evento tenha contribuído para o fortalecimento das entidades presentes. Desejamos sucesso para as parcerias estabelecidas durante o evento e que os laços de amizades tenham continuidade.



Acima de tudo, desejamos que todos tenham tido proveito positivo.



quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

PROJETO "REGISTROS E DIÁLOGOS- TECENDO A IGUALDADE"

A UBM (União Brasileira de Mulheres) com a  SEAC (Sociedade Educacional e Ação Comunitária) realizará o projeto "Registros e Diálogos", no dia 11(sexta feira ) de fevereiro na CAPI (Casa de Amparo e Proteção do Idoso) ás 9h da manhã.
Localização da CAPI: Travessa Narcísio, 23 em Goitacazes
OBS: Fica na Praça de S. Gonçalo ao lado do colégio Cinecista.


                             CARTA DE APRESENTAÇÃO DO PROJETO 

                                                                                                                  



                                           Rio de Janeiro, 02 de fevereiro de 2011
                                                              
                

PROJETO REGISTRO E DIÁLOGOS-TECENDO A IGUALDADE

O projeto "Registro e Diálogos - Tecendo a Igualdade" é uma iniciativa do SEAC, Sociedade Educacional e Ação Comunitária e da UBM, União Brasileira de Mulheres através do incentivo da Secretaria Especial de Políticas  para as Mulheres, do Governo Federal.

O objetivo do projeto é realizar o registro em audiovisual no formato de documentário e divulgá-los nacionalmente, através da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, a fim de incentivar e divulgar tais iniciativas.

Serão enfatizados ações e projetos sócios culturais de iniciativa própria em oito municípios do RJ, visando identificar ações coletivas ou individuais que contribuam para o crescimento da comunidade com foco nas mulheres.

Os registros serão feitos nos seguintes municípios: Itaboraí, Cabo Frio, Campos dos Goytacazes, Mangaratiba, Nova Iguaçú, Macaé e Niterói, além de 3 comunidades na capital fluminense: Jacarezinho, Complexo do Alemão e Bangu.

O documentário será lançado em maio de 2011 e todos os projetos registrados serão contemplados com cópias do mesmo.

 É importante salientar que este documentário não tem fins de comercialização e, portanto não haverá a venda dos Dvds, nem tampouco, os projetos contemplados receberão algum tipo de cachê pela sua participação. É um projeto de divulgação, multiplicação e, portanto de estímulo a estas e a novas iniciativas destas comunidades, oferecendo a estas uma maior visibilidade.

 A produção é da Cohesion Produções.

 Contatos:

Mônica Miranda. Diretora de Produção
Karla Danitza. Produtora executiva
Gabriela Chiari. Assistente de produção




COHÉSION | Belo Horizonte – 55 31 3245-9573 – 55 21 9251-4486 | Rio de Janeiro – 55 21 9735-9090




sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

PARE O "ESTRUPO CORRETIVO"


"O estupro corretivo”, a prática cruel de estuprar lésbicas para “curar” sua homossexualidade, está se tornando uma crise na África do Sul. Porém, ativistas corajosas estão apelando ao mundo para pôr fim a estes crimes monstruosos. O governo sul africando finalmente está respondendo -- vamos apoiá-las. Assine a petição e divulgue para os seus amigos!
Millicent Gaika foi atada, estrangulada, torturada e estuprada durante 5 horas por um homem que dizia estar “curando-a” do lesbianismo. Por pouco não sobrevive
Infelizmente Millicent não é a únca, este crime horrendo é recorrente na África do Sul, onde lésbicas vivem aterrorizadas com ameaças de ataques. O mais triste é que jamais alguém foi condenado por “estupro corretivo”.
De forma surpreendente, desde um abrigo secreto na Cidade do Cabo, algumas ativistas corajosas estão arriscando as suas vidas para garantir que o caso da Millicent sirva para suscitar mudanças. O apelo lançado ao Ministério da Justiça teve forte repercussão, ultrapassando 140.000 assinaturas e forçando-o a responder ao caso em televisão nacional. Porém, o Ministro ainda não respondeu às demandas por ações concretas.
Vamos expor este horror em todos os cantos do mundo -- se um grande número de pessoas aderirem, conseguiremos amplificar e escalar esta campanha, levando-a diretamente ao Presidente Zuma, autoridade máxima na garantia dos direitos constitucionais. Vamos exigir de Zuma e do Ministro da Justiça que condenem publicamente o “estupro corretivo”, criminalizando crimes de homofobia e garantindo a implementação imediata de educação pública e proteção para os sobreviventes. Assine a petição agora e compartilhe -- nós a entregaremos ao governo da África do Sul com os nossos parceiros na Cidade do Cabo:

https://secure.avaaz.org/po/stop_corrective_rape/?vl

 África do Sul, chamada de Nação Arco-Íris, é reverenciada globalmente pelos seus esforços pós-apartheid contra a discriminação. Ela foi o primeiro país a proteger constitucionalmente cidadãos da discriminação baseada na sexualidade. Porém, a Cidade do Cabo não é a única, a ONG local Luleki Sizwe registrou mais de um “estupro corretivo” por dia e o predomínio da impunidade.
O “estupro corretivo” é baseado na noção absurda e falsa de que lésbicas podem ser estupradas para “se tornarem heterossexuais”, mas este ato horrendo não é classificado como crime de discriminação na África do Sul. As vítimas geralmente são mulheres homossexuais, negras, pobres e profundamente marginalizadas. Até mesmo o estupro grupal e o assassinato da Eudy Simelane, heroína nacional e estrela da seleção feminina de futebol da África do Sul em 2008, não mudou a situação. Na semana passada, o Ministro Radebe insistiu que o motivo de crime é irrelevante em casos de “estupro corretivo”.
A África do Sul é a capital do estupro do mundo. Uma menina nascida na África do Sul tem mais chances de ser estuprada do que de aprender a ler. Surpreendentemente, um quarto das meninas sul-africanas são estupradas antes de completarem 16 anos. Este problema tem muitas raízes: machismo (62% dos meninos com mais de 11 anos acreditam que forçar alguém a fazer sexo não é um ato de violência), pobreza, ocupações massificadas, desemprego, homens marginalizados, indiferença da comunidade -- e mais do que tudo -- os poucos casos que são corajosamente denunciados às autoridades, acabam no descaso da polícia e a impunidade.
Isto é uma catástrofe humana. Mas a Luleki Sizwe e parceiros do Change.org abriram uma fresta na janela da esperança para reagir. Se o mundo todo aderir agora, nós conseguiremos justiça para a Millicent e um compromisso nacional para combater o “estupro corretivo”:

https://secure.avaaz.org/po/stop_corrective_rape/?vl

Está é uma batalha da pobreza, do machismo e da homofobia. Acabar com a cultura do estupro requere uma liderança ousada e ações direcionadas, para assim trazer mudanças para a África do Sul e todo o continente. O Presidente Zuma é um Zulu tradicional, ele mesmo foi ao tribunal acusado de estupro. Porém, ele também criticou a prisão de um casal gay no Malawi no ano passado, e após forte pressão nacional e internacional, a África do Sul finalmente aprovou uma resolução da ONU que se opõe a assassinatos extrajudiciais relacionados a orientação sexual.
Se um grande número de nós participarmos neste chamado por justiça, nós poderemos convencer Zuma a se engajar, levando adiante ações governamentais cruciais e iniciando um debate nacional que poderá influenciar a atitude pública em relação ao estupro e homofobia na África do Sul. Assine agora e depois divulgue:

https://secure.avaaz.org/po/stop_corrective_rape/?vl

Em casos como o da Millicent, é fácil perder a esperança. Mas quando cidadãos se unem em uma única voz, nós podemos ter sucesso em mudar práticas e normas injustas, porém aceitas pela sociedade. No ano passado, na Uganda, nós tivemos sucesso em conseguir uma onda massiva de pressão popular sobre o governo, obrigando-o a engavetar uma proposta de lei que iria condenar à morte gays da Uganda. Foi a pressão global em solidariedade a ativistas nacionais corajosos que pressionaram os líderes da África do Sul a lidarem com a crise da AIDS que estava tomando o país. Vamos nos unir agora e defender um mundo onde cada ser humano poderá viver livre do medo do abuso e violência.
Com esperança e determinação,

Alice, Ricken, Maria Paz, David e toda a equipe da Avaaz

Leia mais:

Mulheres homossexuais sofrem 'estupro corretivo' na África do Sul:

http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2009/12/09/mulheres-homossexuais-sofrem-estupro-corretivo-na-africa-do-sul-915119997.asp

ONG ActionAid afirma que "estupros corretivos" de lésbicas na África do Sul estão aumentando:

http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/lifestyle/2010/03/22/243215-ong-actionaid-afirma-que-estupros-corretivos-de-lesbicas-na-africa-do-sul-estao-aumentando
Acusados de matar atleta lésbica são julgados na África do Sul:

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,acusados-de-matar-atleta-lesbica-sao-julgados-na-africa-do-sul,410234,0.htm

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

.JOVENS DE BAIXA RENDA SÃO MAIORIA NAS UNIVERSIDADES

Um fenômeno recente está dando novo rosto às universidades brasileiras e mudando, para melhor, a vida de milhares de famílias. Pesquisa inédita do Data Popular, instituto especializado em mercado emergente no Brasil, revela que, pela primeira vez na década, jovens de baixa renda são maioria nas faculdades.

Segundo a pesquisa, os jovens são 73,7% dos universitários. “É um contingente enorme que representa a primeira geração de suas famílias a obter um diploma de nível superior”, constata Renato Meirelles, sócio-diretor do instituto de pesquisa.
O estudo mostra que os estudantes da classe D, oriundos de famílias que ganham menos de 3 salários mínimos (R$ 1.530), ultrapassaram os filhos da elite nos campi. Uma das razões para esta revolução no ensino apontada por Meirelles foi o Programa Universidade para Todos (ProUni) que já atendeu 747 mil estudantes de baixa renda nos últimos seis anos. Só em 2010 (primeiro e segundo semestres) mais de 240 mil bolsas do ProUni foram ofertadas, sendo mais de 11 mil no Rio de Janeiro.
De 2002 a 2009, as faculdades, públicas e particulares, receberam 700 mil estudantes da classe D — média de 100 mil jovens a cada ano. Se há oito anos eles ocupavam somente 5% do bolo universitário, em 2009 chegaram a 15,3%. Já os da classe A perderam participação no total: a fatia caiu de 24,6% para 7,3%.
De acordo com Meirelles, para esses jovens a universidade é um investimento pesado, mas que vale a pena: “A família vê no estudo a única chance de mudar as condições de vida de todos”.
Segundo ele, a classe C já representa o maior número de alunos em escolas privadas, com mais de 4 milhões de crianças matriculadas. Ainda na classe C, 68% das pessoas estudaram mais do que os pais; entre a classe A esse percentual é de apenas 10%.
A partir do ano que vem, jovens terão mais um incentivo. A UFRJ vai destinar 20% das vagas para estudantes de escolas públicas. Os candidatos serão aprovados por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). A instituição planeja dar mil bolsas-auxílio, Bilhete Único Intermunicipal e netbooks.

Número de universitários cresceu 57% em sete anos

-Entre 2002 e 2009, o número de universitários no Brasil passou de 3,6 milhões para 5,8 milhões, um avanço de 57%.
-Noventa por cento da população ganham até 10 salários mínimos e movimentam R$ 760 bilhões ao ano.
-As classes A e B detêm 26,3% das vagas no ensino superior, enquanto estudantes da C, D e E representam 73,7% do total.
-Em todas as classes sociais, houve aumento dos homens nas faculdades, mas as mulheres são a maioria (57%).
-A média da idade dos universitários aumentou: passou de 25,87 em 2002 para 26,32, em 2009.
-A necessidade de trabalhar para pagar a faculdade faz com que a maioria prefira estudar à noite ou em meio período.

Fonte: Vermelho

A CAMPANHA DA "VEJA" CONTRA AS LUTAS HISTÓRICAS DOS PROFESSORES

"A revista Veja não economiza espaço quando se trata de divulgar os palpites de Gustavo Ioschpe sobre educação. Não haveria um articulista mais articulado para essa tarefa? Ou, pensando melhor, Ioschpe e Veja vivem em total harmonia. As afirmações de um, abalizadas pela outra, demonstram, apesar do tom peremptório e seguro, uma fragilidade teórico-prática impressionante.


Por Gabriel Perissé, no Observatório da Imprensa
Ioschpe costuma aludir a pesquisas (não especificando, na maioria das vezes, que pesquisadores são esses, que pesquisas são essas, onde consultá-las), dando como líquido e certo tal ou qual verdade. Na Veja de 13/10/2010, por exemplo, escreveu um artigo, "Educação de qualidade: de volta ao futuro", do qual destaco o seguinte trecho:
"[...] as pesquisas empíricas [...] mostram que a presença de computadores nas escolas não tem nenhum impacto sobre o aprendizado."
Contudo, já no final do século 20, pesquisadores do mundo inteiro reuniam experiências que demonstravam como a utilização de computadores e da internet tornam as práticas docentes motivadoras. Bastaria citar um estudo de 1998, "The emerging contribution of online resources and tools to classroom learning and teaching", e, para entender a necessidade de a escola ingressar na Idade Mídia, o livro de Don Tapscott, A Hora da Geração Digital (Agir Negócios, 2010).

Ainda nesse artigo de Ioschpe, outra pérola:

"Sindicatos mais poderosos pressionam para que o grosso da verba de educação seja gasto em aumentos salariais e diminuição do número de alunos em sala de aula, duas variáveis que não têm relação com a qualidade de ensino."

Tentativa de corrigir uma injustiça
Contudo, qualquer psicopedagogo, qualquer educador haverá de nos dizer que em turmas reduzidas o professor conseguirá dar atenção mais individualizada, poderá perceber melhor progressos e dificuldades de cada aluno, detectando os problemas e intervindo com mais eficácia. E, quanto aos salários, é difícil acreditar que pesquisadores (motivados por bolsas de estudos, talvez com ajuda do exterior...) dediquem seu tempo para descobrir que aumentos salariais não motivam professores...
Em dezembro do ano passado, visivelmente abalado com a vitória de Dilma Rousseff, Ioschpe, em novo artigo (Veja, 29/12/2010), intitulado "Aumentaram os gastos, mas a qualidade...", teve a coragem de escrever:
"[...] esse governo [federal] foi extremamente generoso nas concessões e omisso nas cobranças. Instituiu um piso nacional de salário para o magistério, atualmente em 1.024,00 reais. O salário médio do professor brasileiro subiu de 994 reais em 2003 para 1.527,00 reais em 2008 [...]. O governo, porém, não fez nenhuma intervenção mais forte nos cursos de formação de professores das próprias universidades federais, que continuam despejando no mercado profissionais despreparados para o exercício da docência."
Ora, não se pode usar o advérbio "extremamente" em relação a uma generosidade nada extrema. Aliás, nem de generosidade se trata, mas da tentativa (tardia!) de corrigir uma injustiça: o salário de um professor de escola pública com diploma universitário equivale, hoje, a 60% do que recebem, em média, profissionais com o mesmo nível de ensino.

Realidade se resume a poucas palavras
E não são as universidades federais que "despejam" professores despreparados no mercado! Na década de 1990, calculava-se que 80% dos professores da rede pública estadual de São Paulo formaram-se em faculdades privadas. Em 2008, o MEC divulgou estudo segundo o qual 70% dos professores aptos a lecionar no ensino básico do Brasil formaram-se em faculdades e universidades particulares.
Andar na contramão da realidade pode provocar acidentes. No caso de Ioschpe, suas declarações entram em rota de colisão com o óbvio. Nem precisaríamos recorrer a teses de doutorado ou pesquisas financiadas por bancos ou assemelhados. Em novembro e dezembro de 2010, e neste mês de janeiro, o articulista publicou em três partes um artigo cujo título não é nada ambicioso: "Como melhorar a educação brasileira". Basta-nos ler (e brevemente comentar) alguns dos seus melhores momentos...
"Muitos professores chegam atrasados a suas aulas. Perdem tempo fazendo chamada, dando recados e advertências. É um desperdício" (Veja, 10/11/2010).
Correto. Mas essa constatação é insuficiente. Por que muitos professores chegam atrasados? E por que a chamada é tão prolongada (ao mesmo tempo que exigida pela burocracia escolar)? E por que cabe aos professores darem recados e advertências? Se Ioschpe fizesse as perguntas certas aos que vivem essas realidades estaria realizando verdadeira pesquisa empírica e acabaria por descobrir uma realidade que se pode resumir em poucas palavras: professores sobrecarregados e turmas com grande número de alunos.

Uma breve pesquisa informa o óbvio

Outro momento de Ioschpe, influenciado pelos noticiários sobre o Morro do Alemão:
"É curioso: nossos governantes criaram coragem para invadir o Morro do Alemão, mas as universidades públicas continuam sendo consideradas território perigoso demais para a ação saneadora do estado. Esculachar bandido armado de metralhadora é mais fácil do que peitar os doutores da academia, que permanecem livres para perpetrar seus delitos intelectuais" (Veja, 22/12/2010).
Mais do que curioso... é incrível que alguém possa, impunemente, comparar bandidos e professores universitários! Que tipo de "limpeza" deveria ser feita nas universidades públicas? Não seria o caso de imaginar que as particulares merecem igual ou maior rigor?

Um último parágrafo:

"Em termos de regime de trabalho, ao contrário dos desejos dos sindicatos, a maioria das pesquisas mostra que não faz diferença, para o aprendizado do aluno, quantos empregos o professor tem, se trabalha em uma escola ou mais" (Veja, 19/01/2011).
De novo, impressiona ler uma afirmação dessas. Será que, além de desconhecer a escola pública, Ioschpe ignora a realidade vantajosa das escolas particulares, cujos alunos obtêm os melhores resultados no Enem?
Uma breve pesquisa na internet informa o óbvio. As melhores escolas possuem laboratórios, computadores e biblioteca. Seus professores são bem remunerados, o que lhes permite dedicação exclusiva, ou quase exclusiva, com tempo necessário para prepararem aulas inovadoras, em geral empregando recursos tecnológicos. "

postado no BLOG DA PROFESSORA ODETE - segunda feira, 24 de janeiro de 2011.

Convite aos colegas- Assembleia da rede municipal no dia 03 de fevereiro!!!/Campos dos Goytacazes/RJ

Temos que participar.

Prof. Marcelo Soares
Atenção Profissionais da Rede Municipal de Campos dos Goytacazes!!!

O SEPE convida toda a categoria da rede municipal para assembleia que será realizada amanhã (dia 03 de fevereiro) as 17h na sede do sindicato, no Ed. Ninho das Águias, sala 514.
Pauta:

*Fundeb;
*PCCS;
*assuntos gerais.

Atenciosamente,
Cristini Marcelino - Diretora do SEPE Campos

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

MACHISMO E PRECONCEITO CONTRA AS MULHERES

Biógrafa da ex-presidente Michelle Bachelet diz que mulheres são mais cobradas no poder.Todos deveriam este livro.

A trajetória no poder da ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, descrita no livro "Bachelet en Tierra de Hombres", da jornalista chilena Patricia Politzer - livro de cabeceira da presidente Dilma Rousseff -, é uma espécie de biografia não oficial repleta de situações complicadas: dois terremotos, implementação de projetos impopulares, a fragmentação da base de apoio político, uma crise econômica internacional e até a erupção de um vulcão, bem como desencontros amorosos e problemas de família. Mas os trechos mais interessantes do livro são os que dizem respeito ao enorme preconceito enfrentado por uma mulher no comando de um país latino-americano com sua cultura machista e patriarcal.
Nessa seara, Dilma Rousseff terá uma aula e tanto sobre machismo no poder. Vai perceber que, se Bachelet trabalhava demais e pedia mais trabalho à equipe, não era considerada disciplinada. Era "workaholic, pouco eficiente e má". Se falava diretamente e com franqueza, não era um sinal de transparência, mas de "soberba e conflito na equipe". Patricia Politzer, ex-diretora da Secretaria de Comunicação e Cultura do Chile e ex-presidente do Conselho Nacional de Televisão chileno, acredita que os preconceitos enfrentados por Bachelet não serão muito diferentes dos que esperam Dilma no Palácio do Planalto. "Foi uma magnífica surpresa saber que a presidente Dilma está lendo meu livro. Sinto-me muito honrada", afirmou.
Quando e por que você decidiu pesquisar e escrever um livro contando a história de Michelle Bachelet?
PATRICIA POLITZER: Estive fora do Chile durante os primeiros seis meses do governo Bachelet. Quando voltei, me impressionei com a forma como a maltratavam. Isso vinha tanto de seus adversários políticos como de dirigentes de sua própria coalizão. Como jornalista e observadora da política chilena desde a década de 1970, nunca vi um tratamento tão absurdo e preconceituoso. Pareceu-me indispensável deixar um testemunho de seu governo quando os fatos ainda estavam frescos. Em minha pesquisa, fui descobrindo que existia um denominador comum que cruzava praticamente todos os temas: uma cultura patriarcal que carregamos grudada na pele tanto de homens quanto de mulheres.
A presidente conversou com a senhora para o livro?
PATRICIA: Eu pedi uma entrevista mas ela nunca me concedeu. Não sei se teve tempo de ler o livro.
Como foi o preconceito contra Bachelet? Você acha que esta é uma característica de sociedades machistas latino-americanas?
PATRICIA: Os preconceitos contra ela - e contra as ministras mulheres de seu governo - foram explícitos e implícitos. No dia em que assumiu, uma crônica no jornal "El Mercurio", o mais antigo do país, criticava acidamente sua ministra da Saúde, Soledad Barría, por não ter pintado seus cabelos brancos para a cerimônia! Suas atuações políticas eram analisadas sempre de uma perspectiva pessoal. Bachelet não cometia um erro, nem tomava uma decisão ruim. Simplesmente não servia, não sabia governar, não "tinha estatura". Durante três dos quatro anos de seu governo disseram que uma mulher jamais voltaria a governar o país. Os homens nunca sofrem uma crítica dessa natureza, nem quando algum político se mostra incompetente, corrupto ou um ditador. Esta visão foi compartilhada por seus adversários e aliados. O machismo segue forte em nossas sociedades de tal forma que o êxito das mulheres raras vezes se atribui a seu preparo ou a seus atributos. Busca-se insistentemente um homem, que geralmente é o responsável por suas ascensão e que a manipula para que seja bem sucedida. Bachelet cuidou conscientemente de não ter nenhum homem poderoso próximo do círculo do poder.
Você acredita que Dilma Rousseff vai enfrentar o mesmo nível de preconceito?
PATRICIA: Suspeito que, neste terreno, haverá dificuldades parecidas. Dilma Rousseff está à sombra de um presidente muito bem sucedido e popular, como é Lula, assim como Bachelet esteve próxima de Ricardo Lagos. Terá que ser muito forte para suportar preconceitos e críticas que só se fundamentam no fato de ela ser mulher.
Por que a política, no Chile, na sua opinião, é uma "tierra de hombres"?
PATRICIA: O poder, em qualquer de suas formas, continua sendo terra de homens. São poucas as mulheres no Parlamento, nas diretorias das empresas, nos altos cargos acadêmicos. Em qualquer círculo de poder, para que entre uma mulher deve sair um homem, e isso não é fácil. Michelle Bachelet abriu uma porta impensável há apenas dez anos. As chilenas já sabem que podemos chegar ao posto mais alto. Mas estamos muito longe da igualdade de gêneros.
Bachelet colocou em execução algum programa de valorização, profissionalização ou proteção à mulher?
PATRICIA: Bachelet esteve à frente de várias leis relacionadas à mulher, como o estabelecimento de igualdade de salários e a criminalização da violência contra a mulher, lei inclusive promulgada pelo presidente Sebastián Piñera. Mas a violência e a discriminação continuam.
O rigor de Michelle Bachelet com abusos na ditadura militar no Chile e agora os gestos de Dilma Rousseff na direção da apuração de culpados no Brasil têm relação (vítimas de tortura e perdas) com o fato de serem mulheres em "tierra de hombres"?
PATRICIA: Este rigor transcende a questão do gênero. As violações aos direitos humanos continuam sendo uma ferida aberta para muitos cidadãos da América Latina. Ambas são parte dessa história dolorosa, e sua chegada ao poder constitui uma forma de reparação para milhares de vítimas. Diante dessa perspectiva, milhões de democratas esperam delas essa atitude.
Fonte: O Globo