A LUTA CONTINUA

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CAMPOS DOS GOYTACAZES/ RJ, A LUTA CONTINUA!...

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Líbia: Pare a repressão brutal

Caros amigos,

Centenas de manifestantes pró-democracia estão sendo massacrados pelo exército do Kadafi na Líbia. A ONU está agora mesmo em reuniões de emergência e poderá congelar as contas do regime, bloquear o tráfego aéreo e processar os militares em cortes internacionais. Diga para a ONU agir agora impedindo o massacre:


Send a message now!


As forças armadas da Líbia estão usando metralhadoras e aviões de guerra contra manifestantes pró-democracia -- centenas de pessoas foram mortas e sem uma ação internacional imediata a situação poderá virar uma tragédia ainda maior.

O Conselho de Segurança da ONU está tendo reuniões de emergência sobre a Líbia agora mesmo. Se nós conseguirmos pressioná-los a bloquearem o tráfego aéreo sobre a Líbia, congelar as contas do Kadafi e seus generais, implementarem sanções direcionadas ao regime e abrir processos em cortes internacionais contra os militares envolvidos na repressão -- poderemos impedir os bombardeamento aéreo e dividir a hierarquia de comando do Kadafi.

Nós não temos tempo a perder -- o povo da Líbia está sendo massacrado pelo seu próprio governo. Clique no link para enviar uma mensagem diretamente para as delegações do Conselho de Segurança da ONU, pedindo o fim da violência. Depois, compartilhe esta campanha com todo mundo -- vamos inundar a ONU com mensagens:

http://www.avaaz.org/po/libya_stop_the_crackdown_eu/?cl=957757774&v=8470

O Coronel Kadafi governou a Líbia com uma mão de ferro por 42 anos sem parlamento ou constituição. Ele é o ditador com mais tempo no poder de toda a África e Oriente Médio. A imprensa estrangeira não é aceita na Líbia e o governo já bloqueou a Internet e redes de telefonia celular como tentativa de esconder a violência brutal do seu exército. Os manifestantes que estão demandando mudanças políticas e direitos básicos, estão relatando que milhares de civis ainda estão tomando as ruas, mesmo depois do massacre de centenas de pessoas. A Chefe dos Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, diz que os ataques do governo “podem constituir crimes contra a humanidade”.

Chocados com as atrocidades, os diplomatas líbios e alguns militares de alto comando já desertaram do regime. Se a ONU conseguir aumentar a pressão sobre o Kadafi e seus aliados confiscando suas riquezas e ameaçando-os com processos criminais -- aqueles que estão comandando a brutalidade poderão pensar duas vezes e parar o massacre.

O Brasil é o atual presidente do Conselho de Segurança da ONU, o que nos dá a esperança de um compromisso maior com os direitos humanos e sendo um governo com o qual a Avaaz já gerou uma reputação de campanhas. Nós não temos muito tempo para influenciá-los -- vamos inundar suas caixas de entrada com mensagens do mundo todo! Envie uma mensagem e encaminhe este alerta para os seus amigos e familiares:

http://www.avaaz.org/po/libya_stop_the_crackdown_eu/?cl=957757774&v=8470

O povo da Líbia está sendo assassinado por demandar liberdade, saúde, educação e uma renda decente -- necessidades básicas que todos nós compartilhamos. Vamos erguer as nossas vozes agora, como uma comunidade global, para condenar o massacre chocante, para agirmos contra a violência covarde dos militares e para apoiar os líbios na sua demanda justa por mudanças sociais.

Com esperança e determinação,

Alice, Ricken, Pascal, Graziela, Rewan e toda a equipe Avaaz

Fontes:

Aeronaves militares abrem fogo em vários locais de Trípoli:
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2011/02/21/aeronaves-militares-abrem-fogo-em-varios-locais-de-tripoli-923848487.asp

Kadafi luta para se manter no poder, mas está cada vez mais isolado:
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,14870558,00.html

Número de mortos na Líbia chegaria a 10 mil:
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI213457-15227,00-NUMERO+DE+MORTOS+NA+LIBIA+CHEGARIA+A+MIL.html

Líbia: Conselho de Direitos Humanos da ONU convoca reunião para sexta-feira:
http://aeiou.expresso.pt/libia-conselho-de-direitos-humanos-da-onu-convoca-reuniao-para-sexta-feira=f633989


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Jandira debaterá situação de mulheres com HIV na Unaids

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) será painelista durante consulta de alto nível sobre saúde sexual e direitos reprodutivos das mulheres e meninas que vivem com o vírus do HIV. A reunião acontecerá entre os dias 24 e 28 deste mês em Nova York e é promovida conjuntamente pela Secretaria do Programa das Nações Unidas sobre HIV (Unaids), a ONU Mulher (UN Women) e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

A parlamentar, que viaja em caráter de missão oficial pela Câmara dos Deputados, é a única congressista brasileira a participar do evento. Ela vai tratar dos principais avanços do Brasil em programas de prevenção, acesso à informação e tratamento, bem como as dificuldades para garantir a universalização desses programas no país. A consulta ocorrerá durante a 55 ª sessão da Comissão sobre o Status das Mulheres (CSW).

Jandira Feghali dividirá a mesa dos debates com personalidades políticas e autoridades em saúde de diversos países, como a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, atual diretora da organização da ONU para a Igualdade de Gênero e Empoderamento da Mulher (UN Women).

Um dos objetivos da reunião é estudar a adoção de estratégias para combater a desigualdade de gênero, um dos fatores que contribui para impulsionar a epidemia do HIV.

Segundo a Unaids,  mesmo após 30 anos da descoberta do vírus, mulheres e meninas que convivem com AIDS em todo o mundo ainda enfrentam o estigma e a discriminação na hora de tratar da saúde sexual e reprodutiva. Elas são orientadas, por exemplo, a não se envolver em relações sexuais e chegam a ser repreendidas quando procuram cuidados de saúde em caso de gravidez, dificultando o progresso na saúde materna e infantil.

A deputada Jandira Feghali, que sempre dispensou atenção ao tema em mandatos anteriores na Câmara dos Deputados, ressalta que sua atuação no quinto mandato será ainda mais incisiva no sentido de colocar algumas conquistas em prática. “Temos que lutar para consolidar orçamentos adequados, viabilizar políticas de prevenção e promoção da saúde, pela descentralização das políticas nacionais em ações de implementação local, fortalecendo a cultura da paz”, afirma Jandira.

De Brasília, Régia Vitória com assessoria

Mulheres debatem novo momento na recepção da bancada feminina

A eleição da primeira mulher para a Presidência da República garantiu aos movimentos feministas uma força a mais para ampliar os direitos das mulheres no Brasil. A conquista do maior posto político da democracia brasileira pela presidenta Dilma Rousseff foi exaltada na noite da última terça-feira (15) no apartamento da senadora Lídice da Mata (PSB-BA), em Brasília, em uma recepção das parlamentares da bancada feminina que reuniu mulheres representantes de várias entidades feministas do país.

Congresso em Foco
  Na recepção da bancada feminina, ativistas comemoraram o aumento da participação feminina na política brasileira
Em tom de confraternização e entusiasmo, o encontro, que se realiza em todo início de ano legislativo, teve nesta edição um gostinho a mais: comemorar o aumento da participação feminina na política brasileira. Além da Presidência da República – posto que, em si, já muda o patamar da representação política feminina no país –, as mulheres conquistaram mais espaço na Esplanada dos Ministérios, com chefia de nove das 37 pastas, e alcançaram pela primeira vez cadeiras historicamente ocupadas por homens, como a primeira vice-presidência da Mesa Diretora da Câmara, para o qual foi eleita a deputada Rose de Freitas (PMDB-ES).

"Não quero fazer da eleição da Dilma uma panaceia. Mas o povo brasileiro começa a entender que uma mulher tem condições de dirigir o país. Uma mulher que chega a esse patamar pela sua história, pela sua capacidade, pelo seu esforço, não pelo sobrenome, ou sua tradição. Isso nos dá um gás a mais. Só que isso é gás, e gás tem que ser transformado em ação, em mobilização, para que a gente possa atingir os nossos objetivos", disse a ministra de Políticas para Mulheres, a deputada federal licenciada Iriny Lopes, para dezenas de mulheres ativistas reunidas no apartamento funcional da senadora Lídice, ao lado da ministra-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros.

Entre as parlamentares presentes, as senadoras Marta Suplicy (PT-SP), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Gleise Hoffman (PT-PR), Marinor Brito (Psol-PA) e Ana Amélia Lemos (PP-PR) e as deputadas Janete Pietá (PT-SP), Fátima Bezerra (PT-RN), Jô Moraes (PCdoB-MG), Luci Choinaki (PT-SC) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ). No encontro, as parlamentares receberam da entidade organizadora, o Centro Feminista de Estudos e Assessorias (Cfemea), um documento com proposições prioritárias, temas e sugestões para a nova legislatura e puderam também ouvir reivindicações de representantes de movimentos feministas.

"Esperamos e lutamos, em primeiro lugar, para que não haja retrocessos na legislação e nas políticas públicas em relação ao direito das mulheres. A última legislatura foi muito conservadora e tivemos muitos riscos de retrocesso na legislação no que se refere, especialmente, aos direitos reprodutivos das mulheres. A Lei Maria da Penha, que é uma conquista histórica e um exemplo para outros países, também vem sendo ameaçada de retrocessos por propostas que alteram o seu teor no Legislativo e no Judiciário. A bancada feminina tem um papel fundamental de lutar pela permanência dessa lei sem alterações e de outros direitos da mulher", afirma a assessora do Cfemea para o tema saúde e direitos sexuais reprodutivos, Kauara Rodrigues.

Também participaram da organização do encontro o Coletivo Leila Diniz, Cunhã Coletivo Feminista, Geledés Instituto da Mulher Negra, Instituto Patrícia Galvão, Rede de Desenvolvimento Humano (RedeH) e SOS Corpo – Instituto Feminista para a Democracia.

Como aumentar a participação

Em termos de avanços, os movimentos que defendem os direitos das mulheres esperam que, na atual legislatura, a bancada feminina no Congresso consiga ampliar ainda mais a participação da mulher no espaço político. A nova bancada inicia a legislatura com renovações, mas sem ampliação em relação à legislatura anterior. São 43 deputadas e 12 senadoras. Entre elas, mulheres com farta experiência política, como a ex-governadora do Rio de Janeiro Benedita da Silva (PT-RJ), a ex-prefeita de Olinda Luciana Santos (PCdoB-PE) e a ex-deputada distrital Érica Kokay (PT-DF).

Para o movimento feminista, a reforma política é uma das oportunidades únicas para ampliar o debate sobre a apropriação de poder pelas mulheres. Segundo a senadora Marta Suplicy, é "importantíssimo" que as mulheres não fiquem de fora da reforma política. "Temos que ter uma posição muito firme na questão da lista paritária, para que nós tenhamos a nossa participação nos lugares adequados na lista e no financiamento público de campanha, que é a forma da mulher ter mais facilidade de entrar na política", afirmou Marta.

A lista paritária e o financiamento público de campanha também são bandeiras da senadora Vanessa Grazziotin na luta por mais participação das mulheres na política. A parlamentar considera que se houver um incentivo maior para que as mulheres se candidatem será possível alcançar um maior percentual de deputadas, senadoras, governadoras, prefeitas, vereadoras e outras representantes em cargos políticos nas próximas eleições.

"O nosso avanço na participação política, sobretudo no Parlamento, se dará através de uma reforma política que leve em conta a participação de gênero. O Brasil amarga um dos piores índices de participação por conta do nosso sistema eleitoral, que leva em consideração o candidato e o partido. Apesar do avanço que tivemos com a cota de 30% de gênero para candidaturas, na prática a gente não vem tendo avanços significativos, tanto que a média nacional de mulheres que ocupam cargos na política chega a 10%. Na Câmara, esse índice é em torno de 8%, e no Senado em torno de 10%", cita Vanessa.

Ranking
O Brasil está na 111ª posição quanto a proporcionalidade de participação de mulheres no Parlamento em relação ao número de homens. A Argentina ocupa o 11º lugar. O país africano Ruanda tem o primeiro lugar nesse ranking, com 50% de mulheres nos postos do Congresso. Em segundo lugar, vem a Suécia, com 46% e, em terceiro, a África do Sul, com 44%. Os dados são do professor José Eustáquio Diniz Alves, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence).

"Hoje faltam candidatas, os partidos não têm tradição de delegar responsabilidades à mulher e as mulheres procuram pouco a política, porque são muito sobrecarregadas. Isso tudo nós mudaríamos se aprovássemos uma lista paritária. Como em outros países, vota-se numa lista em que você estabelece que a cada dois homens têm uma mulher. Isso estimularia mais mulheres se candidatarem. Elas entrariam mais porque seriam listas que tem posições pré-determinadas", concluiu Vanessa.

Fonte: Congresso em Foco, por Renata Camargo

O empoderamento feminino e a nova ordem econômica

Os efeitos da pobreza, da desigualdade social e de gênero afeta principalmente as mulheres e seus filhos. Na realidade brasileira a vulnerabilidade social, o desemprego, a carência de políticas públicas efetiva de combate a desigualdade e falta de oportunidade e acesso aos meios adequados de sobrevivência atinge imensamente a população pobre, e com maior grau a mulher e sua prole.

Por Sueli Aparecida da Silva*

Nos extratos mais baixos, as organizações familiares, tendo a mulher como chefe de família, criaram-se uma nova modalidade de gerir a economia familiar e local em função do desenvolvimento econômico vigorante. Em quase todas as famílias, de alguma forma, os filhos são subsidiados pelas mães.

A mulher sempre busca uma alternativa de produzir renda extra para garantir o equilíbrio na renda familiar, e na maioria das vezes, a prática gera uma permanência que a leva a se especializar na área, gerando uma economia constante e eficaz no desenvolvimento familiar e no giro do capital local. Como veremos a atuação das mulheres no desenvolvimento do microcrédito e da economia solidária.

Neste âmbito, o papel do microcrédito é muito importante para o desenvolvimento, ganhando espaço prioritário para atingir as necessidades/carências de empregos, de formalização de experiências locais e pessoais, na incrementação da economia local e/ou das habilidades pessoais, as quais convertem-se em bens e consumo para a comunidade local. Como explica o professor Yunus(1) sobre os excelentes resultados que deu o banco dos pobres, aproveitando as experiências locais, os recursos humanos e a matéria prima existente, gerou um desenvolvimento que elevou admiravelmente a qualidade de vida da população local e permitiu acessos a serviços e oportunidades, até então desconhecidas, ainda que necessárias, para a satisfação das necessidades básicas.

Para Yunus, nestas condições, as mulheres são as mais vulneráveis, e são elas também, as potencialidades mais latentes, com maiores habilidades para gestar e gerir a economia do microcrédito, como foi à experiência que contemplou as aldeias pauperizadas de Bangladesh, e confirmado no mundo inteiro que a experiência é, sem dúvida, uma forma eficaz contra a pobreza, desde que bem acompanhada, oferecendo possibilidades adequadas e accessíveis para a população.

As mulheres –desde suas habilidades, capacidades e criatividades– são tendentes a apostarem com tudo numa nova dinâmica de atuação e descoberta de uma "vida nova”, rumo a uma mudança transformadora. Yunus afirma que em uma família com carências econômicas, a mulher consegue com mais tranqüilidade equilibrar os gastos com o dinheiro extra. Para ele "as mulheres são atores privilegiados no desenvolvimento local” (YUNUS, p 116, 2000).

A atuação do microcrédito ou da Economia Solidária – Ecosol, gera uma relação incisiva entre sujeitos, como conta o professor Yunus, em sua experiência com mulheres que mudaram por completo a visão de mundo e suas relações sociais no contato com o incremento econômico. Elas que nunca sentiram capazes de ter em mãos um capital que as permitissem gerir um negócio próprio, e que as favorecesse economicamente, sobretudo a família, aos poucos descobrem com grandes capacidades de mudar um cenário inerte, pela situação acomodada. A relação de empoderamento econômico faz com que os sujeitos se conectam na sociedade. O professor Yunus coloca a experiência do empoderamento feminino, pelo microcrédito, como um modo de trabalhar as questões de gênero e as relações de sujeitos entre homens e mulheres.

O empoderamento econômico eleva a mulher à consciência de sujeito e, ela aprende que é possível outra relação entres homens e mulheres, desde a igualdade e equidade de gênero. Partindo da experiência de liberdade que mantém as mulheres como gestoras, como parte fundamental na relação de iguais, ainda que diferentes, mas com a mesma autonomia de participação concreta no desenvolvimento da vida familiar e da comunidade local. Este é o ponto fundamental da relação de empoderamento feminino.

No Brasil o microcrédito e/ou a economia solidária ganha muito espaço com a desigualdade social, que se revela de modo alarmante na distribuição das atividades laborais e sociais. Embora, tenha crescido o número de emprego formal para o gênero feminino, ainda há um alto índice de desemprego, se comparado ao masculino, e as mulheres ainda que igual ou mais qualificadas ganham menos em relação aos homens, exercendo a mesma função. Uma grande maioria de mulheres busca alguma maneira de elevar a renda familiar, as quais muitas vezes sentem obrigadas a tal façanha; na informalidade desenvolvem atividades ligadas as suas criatividades e habilidades, sobretudo manuais/artesanais. O microcrédito é uma grande saída para milhares de mulheres que optam por apostar nesta saída, como única fonte de renda familiar, agregando a experiência da economia solidária.

O banco do povo paulista afirma que as mulheres são maioria nos microempréstimos concedidos no Brasil. O mesmo tem 53%dos contratos tendo as consumidoras como destino. No São Paulo Confia, organização social paulistana que oferece crédito até para quem tem "nome sujo na praça”, de cada dez empréstimos, seis são para mulheres. A máxima do microcrédito acredita que "colocar renda extra nas mãos de mulheres é freqüentemente a forma mais eficiente de beneficiar uma família inteira. Esta renda torna, com certeza, um grande impacto no desenvolvimento local, uma vez que as mulheres investem muito na família, sobretudo na educação dos filhos”(2). Dar a mulher acesso ao microcrédito, conseqüentemente gera um efeito multiplicador aumentando o impacto social que beneficia não só as gerações presentes, mas as futuras, conforme o informe do Banco Popular da Mulher no Brasil. Pois as mulheres garantem o investimento na educação dos filhos, na troca de experiência local e na propagação dos benefícios gerados. O professor Yunus em um seminário sobre microcrédito em São Paulo, no ano de 2008, afirmou que "não existe inclusão social sem adesão a economia. O mundo é movido pelo dinheiro e os pobres tem que ter acesso e fazer parte disso”(3). E na realidade mundial, mormente as mulheres vivem a pobreza, como os filhos.

Neste processo é importante visualizar o processo de empoderamento econômico das mulheres pobres, pois a pobreza mundial tem marcadamente um rosto, o rosto feminino. Há uma feminilização exagerada e real da pobreza.

É notável observar que o desenvolvimento da economia local através dos programas e incentivo ao acesso econômico, desenvolve também as relações pessoais e sociais, criando assim, com maior facilidade uma rede de acesso e apoio. Para Yunus são visivelmente rápidas as mudanças ocorridas nos relacionamentos, no aumento da autoestima, no desenvolvimento de potencialidades latentes e dinamismos, mesmo que o acesso ao dinheiro se dê, sobretudo por mulheres empobrecidas e com grande índice de analfabetismo. O aumento da auto-estima é um dos primeiros impactos observados na relação de sujeitos. Sair do controle do homem, por meio da geração de uma economia própria caracteriza um salto de qualidade nas relações e no desenvolvimento local. A mulher, com seu dinheiro, conquista o espaço social, público e privado garantindo o seu direito de ser pessoa, sujeito histórico com capacidade e potencial de modificar a história social, sendo protagonista de ação transformadora. As mulheres passam a ser agentes não só de suas vidas, mas na vida de muitas outras pessoas.

No Brasil, as experiências das redes de atendimento de microcrédito priorizam o acesso de mulheres, como o Banco Popular da Mulher Campinas e Campo Grande criado em 2002, na cidade de Campinas, o Banco de Empreendedor Joseensse, criado em 1998, em São José dos Campos, o Banco da Mulher, fundado em 1984, conta com afiliadas distribuídas no território nacional: Amazonas, Bahia, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Cada afiliada tem uma política de empréstimo diferenciada. E tantas outras experiências que também atendem o público feminino dando-lhes a oportunidade de gestar uma economia solidária, ou como Hazel Henderson(4) propõe uma "economia do amor”, ou seja, uma economia sustentável, preocupada com vida no planeta. Neste propósito a mulher mantém maiores habilidades para desenvolver uma economia que seja auto-sustentável, a preocupação com a vida parte da sabedoria e da intuição feminina. Por isso, no processo econômico atual as mulheres têm ganhado espaço concretizando outra visão de desenvolvimento econômico. O empreendedorismo da mulher vai além da troca entre bens de consumo e valor econômico.

Para Ellon de Campos Rodrigues, gerente executivo do São Paulo Confia afirma que "a mulher é empreendedora por necessidade. Ela tem os filhos para criar e cuida muito do dinheiro. O empreendimento de uma mulher, em tese, dá mais certo do que o do homem. A mulher pensa na família como um todo.”(5) E por isso emprestar dinheiro para as mulheres e contar com um resultado mais conseqüente.

Muitos bancos buscam acompanhar o processo de desenvolvimento econômico das mulheres objetivando suas demandas de modo que a economia gerada seja uma forma de subsistência e ao mesmo tempo de dar continuidade ao processo de desenvolvimento econômico, gerando de alguma forma um lucro ou um capital de giro que favoreça outros setores da vida, senão a subsistência das necessidades básicas. Alguns bancos, além o empréstimo financeiro presta assessoria e acompanhamento de projetos por meio de assessoria de acompanhamento do crédito; apoio à comercialização, com a participação em feiras, bazares e exposições; análise de qualidade do produto e apoio na melhoria da qualidade, visando um resultado plausível, considerando as eficácias do processo.

Além do Microcrédito a Economia Solidária é uma proposta que tem agrado o mundo, aos olhos das pessoas que estão preocupados com a realidade atual do nosso planeta, e de certa forma a EcoSol é uma economia gestada e gerida por Mulheres. Henderson que tem mostrado ao mundo o que está errado nesta economia insustentável almeja um novo ordenamento da economia onde o trabalho das mulheres seja contabilizado na economia sustentável. Ela caracteriza a "economia do amor”, uma economia que gera vida e empoderamento social dos atores envolvidos, bem como o trabalho voluntariado. A economia baseada na economia do amor está todo o trabalho não remunerado, a cooperação e a solidariedade em trocas sustentáveis. Esse tipo de dinamismo econômico são as mulheres que dão visibilidades a ações.

Concretamente estamos diante de um novo horizonte na historia humana, ainda que um tanto fragmentando as mulheres se propõem, de certa forma, a "salvar” o mundo da rudeza masculina, que baseia suas ações no TER e SER racional. O feminino tem um papel fundamental neste novo ordenamento econômico onde o comunitário, social e o sustentável estão presentes.

Notas:

(1) Economista, Fundador do Grameen Bank, de Bangladesh, a maior instituição de microcrédito do mundo, e vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 2006, mas conhecido como banqueiros dos pobres
(2) Publicado em http://www.bejcredito.com.br/imprensa.html, consultado em 20/09/2010.
(3) Ibdem.
(4) Economista inglesa, Lider Mundial da Plataforma Mercado Ético]
(5) Publicado em http://www.portaldoemprestimo.com/credito-e-emprestimos/banco-popular-paulista.php, consultado em 25/09/2010.


*Sueli Aparecida da Silva é socióloga e integrante da Secretaria da Pastoral da Mulher Marginalizada Nacional.
Fonte: Adital

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Elza Campos: situação feminina ainda é de absoluta desigualdade

“Estamos avançando, inclusive com o aumento de ministérios ocupados por mulheres, mas ainda é pouco”. Esta é a opinião de Elza Campos, coordenadora Nacional da União Brasileira de Mulheres (UBM), no que se refere à participação feminina no governo de Dilma Rousseff.


Por Cinthia Ribas

Elza Campos, UBM Temos consciência de que avançamos durante o governo Lula, diz Elza
Para a assistente Social, professora e membro do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, a nomeação das nove ministras representa um avanço para a luta feminista, no entanto, ainda é pouco. “Além da política, a situação das mulheres brasileiras, em muitos campos, ainda é de uma absoluta desigualdade com relação aos homens”, destaca a dirigente feminista.

Em entrevista ao portal CTB reproduzida abaixo pelo Vermelho, Elza fala sobre a eleição da primeira presidenta do Brasil, os preparativos para o 8º Congresso Nacional da Entidade e os desafios vindouros, na busca pela igualdade de direitos no poder e na sociedade.

Confira abaixo entrevista na íntegra:

CTB: O que representou a eleição da Dilma para luta feminista?
Elza Campos: A UBM comemorou com muita alegria a vitória de Dilma para o cargo de presidenta da República. Entendemos que a eleição de Dilma Rousseff, a primeira mulher a ocupar a Presidência da República no Brasil, é um feito dos mais grandiosos para os trabalhadores e em especial para as mulheres que poderão sentir-se mais empoderadas e confiantes em suas lutas e conquistas. A história de Dilma, que iniciou sua vida pública aos 16 anos defendendo a liberdade de seu povo, é digna de nosso mais profundo respeito. Temos consciência de que avançamos durante o governo Lula, no que de refere à perspectiva para as mulheres, notadamente na conquista da Lei Maria da Penha e na instalação do Ministério das Mulheres, entre outros avanços nos campos das políticas públicas e da atuação do Brasil no cenário internacional. O papel das mulheres e dos movimentos feministas e sociais é de grande importância para garantir que a plataforma elaborada pelos movimentos seja efetivamente realizada. Seremos protagonistas do esforço para construir um projeto de nação justa, com amplas oportunidades para toda a população.

Continuaremos lutando para que as mulheres façam suas escolhas, na vida pessoal e na vida política, ou seja, no espaço privado e no espaço público. Lutará para que a saúde, a educação, a cultura, a segurança pública, o meio ambiente, o trabalho convirjam para o atendimento integral às mulheres e a toda sociedade. Também podemos considerar que este momento é caudatário de uma “Revolução silenciosa” quanto à transformação operada pelo movimento social de libertação feminina. Na verdade, não tem sido tão silenciosa nem tão incruenta como possam alguns identificar.

CTB: Qual a participação da UBM para eleição da Dilma?
EC: A UBM teve participação destacada nas atividades para a eleição da primeira presidenta do Brasil. Na luta para denunciar as formas mais acintosas de conservadorismo que vieram à tona nas eleições presidenciais que foram estimuladas, em parte, pela parcela golpista da grande mídia, que lançou diversos ataques e insinuações visando desqualificar a nova presidenta e a grande maioria popular que a elegeu. Um trabalho de "despersonalização" surpreendente e agressivo. Este processo vivenciado nas eleições tentou passar por cima de mais de 30 anos de luta e participação política constante da agora presidenta, reduzindo-se a política fundamentalmente à sua expressão eleitoral, esta, aliás, sempre criticada e associada pela mídia com interesses pessoais e corrupção, além de tentar demonstrar preconceitos velados ou explícitos, sobre a participação da mulher na vida pública.

A UBM lançou, já no dia 21 de julho, a campanha com o manifesto "Mulher, seu voto não tem preço. UBM com Dilma para continuar mudando o Brasil". Realizamos atos e manifestações em diversas capitais do país, através de uma grande ação nacional. No segundo turno, nossa campanha foi ainda mais intensificada com várias atividades realizadas pelas seções estaduais da UBM em todo o país. Resumindo o contexto de nosso manifesto, podemos destacar que apoiamos Dilma porque de "seu futuro governo depende a conquista de um Brasil com mais desenvolvimento e soberania com distribuição de renda, socialmente equilibrado e ambientalmente construído, onde nós, mulheres, continuaremos a luta contra a violência de gênero, exigindo o cumprimento da Lei Maria da Penha, batalhando por mais casas abrigo e centros de referência".

CTB: E a participação feminina nos espaços de poder?
EC: Na política regional brasileira se repete o panorama nacional e, entre os 27 governadores, há somente duas mulheres. Esse quadro de desigualdade de gênero persiste no Brasil apesar de em 1996 ter se transformado em lei uma "cota rosa" que obriga os partidos políticos reservarem 20% das vagas de candidatos a qualquer cargo público para as mulheres.

Além da política, outros dados revelam que a situação das mulheres brasileiras, em muitos campos, ainda é de uma absoluta desigualdade com relação aos homens.

De toda forma, destacamos a eleição da deputada federal Rose de Freitas do PMDB, como a primeira vice-presidenta a ocupar um cargo na mesa Diretora da Câmara, representa mais um passo para o empoderamento das mulheres em nosso país em um momento em que destacamos o ineditismo da eleição da primeira presidenta do Brasil.

Além disso, em empregos iguais, as mulheres recebem remunerações menores do que os homens. As brasileiras dedicam 56,6 horas semanais ao trabalho, enquanto eles ocupam apenas 52 horas, pelos dados da Cepal.

CTB: Qual o maior desafio a partir de agora?
EC: Neste ano teremos a realização da 3ªConferência de Políticas para as Mulheres, reforçaremos as propostas do 2º Plano Nacional de Políticas para as Mulheres. Teremos de consolidar esse canal de participação e, efetivamente, transformar as políticas públicas para as mulheres em políticas de Estado, tratando a pauta das mulheres como um assunto estratégico para nosso país. Defendemos que a Lei Maria da Penha seja efetivamente cumprida em sua integralidade e a inserção no novo Código Penal dos direitos nela conquistados, para que a maternidade seja uma escolha das mulheres e para que as mulheres não sejam criminalizadas pela realização do aborto.

Um dos maiores problemas para avançar a democracia no Brasil, pauta-se na sub-representação feminina nas instâncias de poder. Estamos avançando, inclusive com o aumento dos ministérios ocupados por mulheres, mas ainda é muito pouco.

Teremos o 8º Congresso Nacional da UBM, ocasião em que reafirmaremos nossas conquistas e discutiremos muitas questões que temos para avançar, particularmente o debate sobre o novo projeto nacional de desenvolvimento e a participação das mulheres em um momento em que temos a presença de uma presidenta.

E na América Latina, continuar fortalecendo o movimento para que seja aplicada em todos os países, a Convenção de Belém do Pará, para responder ao chamamento mundial das Nações Unidas (Unete) para dar um basta às violências e discriminações baseadas no gênero, na raça, na etnia, na orientação sexual e em todo o tipo de diferença.

Ampliar nossa atuação com a mulher trabalhadora, estreitando cada vez mais nossa relação com a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil é um grande e importante desafio, atuando na defesa e ampliação das conquistas dos trabalhadores e trabalhadoras para que a riqueza que é socialmente produzida seja repartida socialmente.

Romper com os padrões e papéis estabelecidos historicamente, do ponto de vista cultural, superando a subalternidade. Convocar as mulheres para integrar-se nos quadros da entidade, somando-se a nós para que possamos construir um Brasil de igualdade e justiça social de mulheres e homens livres.

CTB: Falando em luta, como está a organização para o Dia 8 de Março, que neste ano coincide com o Carnaval?
EC: A UBM decidiu, em sua última reunião da coordenação nacional, que participará do carnaval com faixas, cartazes, organizará blocos, se possível com marchinha tendo como eixo a participação política da mulher. Afinal, a eleição da primeira presidenta do país contou com a participação das ubemistas, mas ainda vivemos um grande hiato na representação das mulheres nos espaços de poder e vamos aproveitar este momento para continuar a levantar a bandeira da participação política da mulher com atuação nos blocos de carnaval, com faixas, cartazes, etc. Gostaria de destacar que este tema tem centralidade uma vez que no contexto da América Latina a maior participação de mulheres entre os Governos da região está na Argentina, Equador e Peru, onde a representação feminina nas estruturas de Governo alcança só 30%. No Brasil, essa pouca presença feminina no Poder Executivo piora no Parlamento, que iniciou sua nova legislatura uma pequena presença de mulheres: serão 45 entre 513 deputados e 22 em um Senado com 81 membros. Em outros países latino-americanos governados por mulheres, como a Argentina de Cristina Kirchner e a Costa Rica de Laura Chinchila, a participação feminina no Congresso chega respectivamente a 40% e 37%.

CTB: Quais as perspectivas e os principais debates que serão travados?
EC: O 8º Congresso Nacional da UBM ocorrerá de 27 a 29 de maio de 2011, na cidade do Rio de Janeiro. Este Congresso se realiza em um momento particular e fundamental da vida de nosso país, particularmente em função da eleição da primeira mulher presidenta do Brasil.

A temática central do Congresso (aprovada em reunião da Coordenação Nacional da Entidade realizada em São Paulo, nos dias 22 e 23 de janeiro), será a Participação Política da Mulher e o Novo Projeto de Desenvolvimento Econômico, além de debater o papel do feminismo emancipacionista, direitos sexuais e reprodutivos, a autonomia econômica e o direito ao trabalho, a luta contra a violência e o fortalecimento da Lei Maria da Penha, o papel da mídia na valorização da mulher – a luta contra os estereótipos, a questão da educação e da cultura. O Congresso pretende reunir cerca de 700 delegadas de todo o país, para tanto todos os Estados da Federação farão seus encontros, plenárias e congressos para discussão dos temas e eleição das delegadas para participação no 8º Congresso da Entidade.

Fonte: Portal CTB

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

CINCO MULHERES SÂO ESPANCADAS A CADA DOIS MINUTOS NO BRASIL

Uma pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o Sesc projeta uma chocante estatística: a cada dois minutos, cinco mulheres são agredidas violentamente no Brasil. E já foi pior: há 10 anos, eram oito as mulheres espancadas no mesmo intervalo.
Realizada em 25 Estados, a pesquisa Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado ouviu, em agosto do ano passado, 2.365 mulheres e 1.181 homens com mais de 15 anos. Aborda diversos temas e complementa estudo similar de 2001. Mas a parte que salta aos olhos é, novamente, a da violência doméstica.
"Os dados mostram que a violência contra a mulher não é um problema privado, de casal. É social e exige políticas públicas", diz Gustavo Venturi, professor da USP e supervisor da pesquisa.
Para chegar à estimativa de mais de duas mulheres agredidas por minuto, os pesquisadores partiram da amostra para fazer uma projeção nacional. Concluíram que 7,2 milhões de mulheres com mais de 15 anos já sofreram agressões - 1,3 milhão nos 12 meses que antecederam a pesquisa.
A pequena diminuição do número de mulheres agredidas entre 2001 e 2010 pode ser atribuída, em parte, à Lei Maria da Penha. "A lei é uma expressão da crescente consciência do problema da violência contra as mulheres", afirma Venturi.
Entre os pesquisados, 85% conhecem a lei e 80% aprovam a nova legislação. Mesmo entre os 11% que a criticam, a principal ressalva é ao fato de que a lei é insuficiente.
Visão masculina
O estudo traz também dados inéditos sobre o que os homens pensam sobre a violência contra as mulheres. Enquanto 8% admitem já ter batido em uma mulher, 48% dizem ter um amigo ou conhecido que fizeram o mesmo e 25% têm parentes que agridem as companheiras. "Dá para deduzir que o número de homens que admitem agredir está subestimado. Afinal, metade conhece alguém que bate", avalia Venturi.
Ainda assim, surpreende que 2% dos homens declarem que "tem mulher que só aprende apanhando bastante". Além disso, entre os 8% que assumem praticar a violência, 14% acreditam ter "agido bem" e 15% declaram que bateriam de novo, o que indica um padrão de comportamento, não uma exceção.
Na infância
Respostas sobre agressões sofridas ainda na infância reforçam a ideia de que a violência pode fazer parte de uma cultura familiar. "Pais que levaram surras quando crianças tendem a bater mais em seus filhos", explica Venturi. No total, 78% das mulheres e 57% dos homens que apanharam na infância acreditam que dar tapas nos filhos de vez em quando é necessário. Entre as mulheres que não apanharam, 53% acham razoável dar tapas de vez em quando.


Fonte: O Estado de S.Paulo

sábado, 19 de fevereiro de 2011

PROJETO "REGISTROS E DIÁLOGOS - TECENDO A IGUALDADE"


Elizabeth Rosário (presidente da UBM/Campos) e Helena Piragibe (presidente da UBM/RJ)

A UBM/CAMPOS, tendo na direção Elizabeth Rosário, trouxe a Campos sexta feira (11), a equipe vinda do Rio juntamente com Irene Cassiano (representante da UBM/RJ), para a realização do projeto "Registro e Diálogos - Tecendo a Igualdade", projeto concretizado através de emenda do então deputado Edmilson Valentim.
O projeto "Registro e Diálogos - Tecendo a Igualdade" é uma iniciativa do SEAC, Sociedade Educacional e Ação Comunitária e da UBM, União Brasileira de Mulheres através do incentivo da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, do Governo Federal.
O objetivo do projeto é realizar o registro em audiovisual no formato de documentário e divulgá-los nacionalmente, através da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, a fim de incentivar e divulgar tais iniciativas.
O documentário será lançado em maio de 2011 e todos os projetos registrados serão contemplados com cópias do mesmo.


                                                                 
                                                 Emília, diretora da CAPI




A CAPI (CASA DE AMPARO E PROTEÇÃO DO IDOSO) na direção de Emília, localizada em Goitacazes, foi contemplada para a realização deste evento. Várias mulheres estiveram presentes.
Algumas entrevistas foram realizadas para complementação do projeto, onde idosos frequentadores da casa demonstraram a gratidão pelo trabalho realizado pela fisioterapêutica Cristiane e da Diretora da casa Emília.




O trabalho da CAPI é realizado com a ajuda de alguns guardiões (pessoas voluntárias na comunidade local). Apesar das dificuldades, o trabalho não deixa de ser realizado.


A UBM/CAMPOS começa uma parceria com a CAPI.
Lucimara diretora das mulheres Quilombolas esteve prestigiando o projeto. Gostaríamos de agradecer a todos os participantes por sua presença.
Esperamos que o evento tenha contribuído para o fortalecimento das entidades presentes. Desejamos sucesso para as parcerias estabelecidas durante o evento e que os laços de amizades tenham continuidade.



Acima de tudo, desejamos que todos tenham tido proveito positivo.



quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

PROJETO "REGISTROS E DIÁLOGOS- TECENDO A IGUALDADE"

A UBM (União Brasileira de Mulheres) com a  SEAC (Sociedade Educacional e Ação Comunitária) realizará o projeto "Registros e Diálogos", no dia 11(sexta feira ) de fevereiro na CAPI (Casa de Amparo e Proteção do Idoso) ás 9h da manhã.
Localização da CAPI: Travessa Narcísio, 23 em Goitacazes
OBS: Fica na Praça de S. Gonçalo ao lado do colégio Cinecista.


                             CARTA DE APRESENTAÇÃO DO PROJETO 

                                                                                                                  



                                           Rio de Janeiro, 02 de fevereiro de 2011
                                                              
                

PROJETO REGISTRO E DIÁLOGOS-TECENDO A IGUALDADE

O projeto "Registro e Diálogos - Tecendo a Igualdade" é uma iniciativa do SEAC, Sociedade Educacional e Ação Comunitária e da UBM, União Brasileira de Mulheres através do incentivo da Secretaria Especial de Políticas  para as Mulheres, do Governo Federal.

O objetivo do projeto é realizar o registro em audiovisual no formato de documentário e divulgá-los nacionalmente, através da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, a fim de incentivar e divulgar tais iniciativas.

Serão enfatizados ações e projetos sócios culturais de iniciativa própria em oito municípios do RJ, visando identificar ações coletivas ou individuais que contribuam para o crescimento da comunidade com foco nas mulheres.

Os registros serão feitos nos seguintes municípios: Itaboraí, Cabo Frio, Campos dos Goytacazes, Mangaratiba, Nova Iguaçú, Macaé e Niterói, além de 3 comunidades na capital fluminense: Jacarezinho, Complexo do Alemão e Bangu.

O documentário será lançado em maio de 2011 e todos os projetos registrados serão contemplados com cópias do mesmo.

 É importante salientar que este documentário não tem fins de comercialização e, portanto não haverá a venda dos Dvds, nem tampouco, os projetos contemplados receberão algum tipo de cachê pela sua participação. É um projeto de divulgação, multiplicação e, portanto de estímulo a estas e a novas iniciativas destas comunidades, oferecendo a estas uma maior visibilidade.

 A produção é da Cohesion Produções.

 Contatos:

Mônica Miranda. Diretora de Produção
Karla Danitza. Produtora executiva
Gabriela Chiari. Assistente de produção




COHÉSION | Belo Horizonte – 55 31 3245-9573 – 55 21 9251-4486 | Rio de Janeiro – 55 21 9735-9090




sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

PARE O "ESTRUPO CORRETIVO"


"O estupro corretivo”, a prática cruel de estuprar lésbicas para “curar” sua homossexualidade, está se tornando uma crise na África do Sul. Porém, ativistas corajosas estão apelando ao mundo para pôr fim a estes crimes monstruosos. O governo sul africando finalmente está respondendo -- vamos apoiá-las. Assine a petição e divulgue para os seus amigos!
Millicent Gaika foi atada, estrangulada, torturada e estuprada durante 5 horas por um homem que dizia estar “curando-a” do lesbianismo. Por pouco não sobrevive
Infelizmente Millicent não é a únca, este crime horrendo é recorrente na África do Sul, onde lésbicas vivem aterrorizadas com ameaças de ataques. O mais triste é que jamais alguém foi condenado por “estupro corretivo”.
De forma surpreendente, desde um abrigo secreto na Cidade do Cabo, algumas ativistas corajosas estão arriscando as suas vidas para garantir que o caso da Millicent sirva para suscitar mudanças. O apelo lançado ao Ministério da Justiça teve forte repercussão, ultrapassando 140.000 assinaturas e forçando-o a responder ao caso em televisão nacional. Porém, o Ministro ainda não respondeu às demandas por ações concretas.
Vamos expor este horror em todos os cantos do mundo -- se um grande número de pessoas aderirem, conseguiremos amplificar e escalar esta campanha, levando-a diretamente ao Presidente Zuma, autoridade máxima na garantia dos direitos constitucionais. Vamos exigir de Zuma e do Ministro da Justiça que condenem publicamente o “estupro corretivo”, criminalizando crimes de homofobia e garantindo a implementação imediata de educação pública e proteção para os sobreviventes. Assine a petição agora e compartilhe -- nós a entregaremos ao governo da África do Sul com os nossos parceiros na Cidade do Cabo:

https://secure.avaaz.org/po/stop_corrective_rape/?vl

 África do Sul, chamada de Nação Arco-Íris, é reverenciada globalmente pelos seus esforços pós-apartheid contra a discriminação. Ela foi o primeiro país a proteger constitucionalmente cidadãos da discriminação baseada na sexualidade. Porém, a Cidade do Cabo não é a única, a ONG local Luleki Sizwe registrou mais de um “estupro corretivo” por dia e o predomínio da impunidade.
O “estupro corretivo” é baseado na noção absurda e falsa de que lésbicas podem ser estupradas para “se tornarem heterossexuais”, mas este ato horrendo não é classificado como crime de discriminação na África do Sul. As vítimas geralmente são mulheres homossexuais, negras, pobres e profundamente marginalizadas. Até mesmo o estupro grupal e o assassinato da Eudy Simelane, heroína nacional e estrela da seleção feminina de futebol da África do Sul em 2008, não mudou a situação. Na semana passada, o Ministro Radebe insistiu que o motivo de crime é irrelevante em casos de “estupro corretivo”.
A África do Sul é a capital do estupro do mundo. Uma menina nascida na África do Sul tem mais chances de ser estuprada do que de aprender a ler. Surpreendentemente, um quarto das meninas sul-africanas são estupradas antes de completarem 16 anos. Este problema tem muitas raízes: machismo (62% dos meninos com mais de 11 anos acreditam que forçar alguém a fazer sexo não é um ato de violência), pobreza, ocupações massificadas, desemprego, homens marginalizados, indiferença da comunidade -- e mais do que tudo -- os poucos casos que são corajosamente denunciados às autoridades, acabam no descaso da polícia e a impunidade.
Isto é uma catástrofe humana. Mas a Luleki Sizwe e parceiros do Change.org abriram uma fresta na janela da esperança para reagir. Se o mundo todo aderir agora, nós conseguiremos justiça para a Millicent e um compromisso nacional para combater o “estupro corretivo”:

https://secure.avaaz.org/po/stop_corrective_rape/?vl

Está é uma batalha da pobreza, do machismo e da homofobia. Acabar com a cultura do estupro requere uma liderança ousada e ações direcionadas, para assim trazer mudanças para a África do Sul e todo o continente. O Presidente Zuma é um Zulu tradicional, ele mesmo foi ao tribunal acusado de estupro. Porém, ele também criticou a prisão de um casal gay no Malawi no ano passado, e após forte pressão nacional e internacional, a África do Sul finalmente aprovou uma resolução da ONU que se opõe a assassinatos extrajudiciais relacionados a orientação sexual.
Se um grande número de nós participarmos neste chamado por justiça, nós poderemos convencer Zuma a se engajar, levando adiante ações governamentais cruciais e iniciando um debate nacional que poderá influenciar a atitude pública em relação ao estupro e homofobia na África do Sul. Assine agora e depois divulgue:

https://secure.avaaz.org/po/stop_corrective_rape/?vl

Em casos como o da Millicent, é fácil perder a esperança. Mas quando cidadãos se unem em uma única voz, nós podemos ter sucesso em mudar práticas e normas injustas, porém aceitas pela sociedade. No ano passado, na Uganda, nós tivemos sucesso em conseguir uma onda massiva de pressão popular sobre o governo, obrigando-o a engavetar uma proposta de lei que iria condenar à morte gays da Uganda. Foi a pressão global em solidariedade a ativistas nacionais corajosos que pressionaram os líderes da África do Sul a lidarem com a crise da AIDS que estava tomando o país. Vamos nos unir agora e defender um mundo onde cada ser humano poderá viver livre do medo do abuso e violência.
Com esperança e determinação,

Alice, Ricken, Maria Paz, David e toda a equipe da Avaaz

Leia mais:

Mulheres homossexuais sofrem 'estupro corretivo' na África do Sul:

http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2009/12/09/mulheres-homossexuais-sofrem-estupro-corretivo-na-africa-do-sul-915119997.asp

ONG ActionAid afirma que "estupros corretivos" de lésbicas na África do Sul estão aumentando:

http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/lifestyle/2010/03/22/243215-ong-actionaid-afirma-que-estupros-corretivos-de-lesbicas-na-africa-do-sul-estao-aumentando
Acusados de matar atleta lésbica são julgados na África do Sul:

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,acusados-de-matar-atleta-lesbica-sao-julgados-na-africa-do-sul,410234,0.htm

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

.JOVENS DE BAIXA RENDA SÃO MAIORIA NAS UNIVERSIDADES

Um fenômeno recente está dando novo rosto às universidades brasileiras e mudando, para melhor, a vida de milhares de famílias. Pesquisa inédita do Data Popular, instituto especializado em mercado emergente no Brasil, revela que, pela primeira vez na década, jovens de baixa renda são maioria nas faculdades.

Segundo a pesquisa, os jovens são 73,7% dos universitários. “É um contingente enorme que representa a primeira geração de suas famílias a obter um diploma de nível superior”, constata Renato Meirelles, sócio-diretor do instituto de pesquisa.
O estudo mostra que os estudantes da classe D, oriundos de famílias que ganham menos de 3 salários mínimos (R$ 1.530), ultrapassaram os filhos da elite nos campi. Uma das razões para esta revolução no ensino apontada por Meirelles foi o Programa Universidade para Todos (ProUni) que já atendeu 747 mil estudantes de baixa renda nos últimos seis anos. Só em 2010 (primeiro e segundo semestres) mais de 240 mil bolsas do ProUni foram ofertadas, sendo mais de 11 mil no Rio de Janeiro.
De 2002 a 2009, as faculdades, públicas e particulares, receberam 700 mil estudantes da classe D — média de 100 mil jovens a cada ano. Se há oito anos eles ocupavam somente 5% do bolo universitário, em 2009 chegaram a 15,3%. Já os da classe A perderam participação no total: a fatia caiu de 24,6% para 7,3%.
De acordo com Meirelles, para esses jovens a universidade é um investimento pesado, mas que vale a pena: “A família vê no estudo a única chance de mudar as condições de vida de todos”.
Segundo ele, a classe C já representa o maior número de alunos em escolas privadas, com mais de 4 milhões de crianças matriculadas. Ainda na classe C, 68% das pessoas estudaram mais do que os pais; entre a classe A esse percentual é de apenas 10%.
A partir do ano que vem, jovens terão mais um incentivo. A UFRJ vai destinar 20% das vagas para estudantes de escolas públicas. Os candidatos serão aprovados por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). A instituição planeja dar mil bolsas-auxílio, Bilhete Único Intermunicipal e netbooks.

Número de universitários cresceu 57% em sete anos

-Entre 2002 e 2009, o número de universitários no Brasil passou de 3,6 milhões para 5,8 milhões, um avanço de 57%.
-Noventa por cento da população ganham até 10 salários mínimos e movimentam R$ 760 bilhões ao ano.
-As classes A e B detêm 26,3% das vagas no ensino superior, enquanto estudantes da C, D e E representam 73,7% do total.
-Em todas as classes sociais, houve aumento dos homens nas faculdades, mas as mulheres são a maioria (57%).
-A média da idade dos universitários aumentou: passou de 25,87 em 2002 para 26,32, em 2009.
-A necessidade de trabalhar para pagar a faculdade faz com que a maioria prefira estudar à noite ou em meio período.

Fonte: Vermelho

A CAMPANHA DA "VEJA" CONTRA AS LUTAS HISTÓRICAS DOS PROFESSORES

"A revista Veja não economiza espaço quando se trata de divulgar os palpites de Gustavo Ioschpe sobre educação. Não haveria um articulista mais articulado para essa tarefa? Ou, pensando melhor, Ioschpe e Veja vivem em total harmonia. As afirmações de um, abalizadas pela outra, demonstram, apesar do tom peremptório e seguro, uma fragilidade teórico-prática impressionante.


Por Gabriel Perissé, no Observatório da Imprensa
Ioschpe costuma aludir a pesquisas (não especificando, na maioria das vezes, que pesquisadores são esses, que pesquisas são essas, onde consultá-las), dando como líquido e certo tal ou qual verdade. Na Veja de 13/10/2010, por exemplo, escreveu um artigo, "Educação de qualidade: de volta ao futuro", do qual destaco o seguinte trecho:
"[...] as pesquisas empíricas [...] mostram que a presença de computadores nas escolas não tem nenhum impacto sobre o aprendizado."
Contudo, já no final do século 20, pesquisadores do mundo inteiro reuniam experiências que demonstravam como a utilização de computadores e da internet tornam as práticas docentes motivadoras. Bastaria citar um estudo de 1998, "The emerging contribution of online resources and tools to classroom learning and teaching", e, para entender a necessidade de a escola ingressar na Idade Mídia, o livro de Don Tapscott, A Hora da Geração Digital (Agir Negócios, 2010).

Ainda nesse artigo de Ioschpe, outra pérola:

"Sindicatos mais poderosos pressionam para que o grosso da verba de educação seja gasto em aumentos salariais e diminuição do número de alunos em sala de aula, duas variáveis que não têm relação com a qualidade de ensino."

Tentativa de corrigir uma injustiça
Contudo, qualquer psicopedagogo, qualquer educador haverá de nos dizer que em turmas reduzidas o professor conseguirá dar atenção mais individualizada, poderá perceber melhor progressos e dificuldades de cada aluno, detectando os problemas e intervindo com mais eficácia. E, quanto aos salários, é difícil acreditar que pesquisadores (motivados por bolsas de estudos, talvez com ajuda do exterior...) dediquem seu tempo para descobrir que aumentos salariais não motivam professores...
Em dezembro do ano passado, visivelmente abalado com a vitória de Dilma Rousseff, Ioschpe, em novo artigo (Veja, 29/12/2010), intitulado "Aumentaram os gastos, mas a qualidade...", teve a coragem de escrever:
"[...] esse governo [federal] foi extremamente generoso nas concessões e omisso nas cobranças. Instituiu um piso nacional de salário para o magistério, atualmente em 1.024,00 reais. O salário médio do professor brasileiro subiu de 994 reais em 2003 para 1.527,00 reais em 2008 [...]. O governo, porém, não fez nenhuma intervenção mais forte nos cursos de formação de professores das próprias universidades federais, que continuam despejando no mercado profissionais despreparados para o exercício da docência."
Ora, não se pode usar o advérbio "extremamente" em relação a uma generosidade nada extrema. Aliás, nem de generosidade se trata, mas da tentativa (tardia!) de corrigir uma injustiça: o salário de um professor de escola pública com diploma universitário equivale, hoje, a 60% do que recebem, em média, profissionais com o mesmo nível de ensino.

Realidade se resume a poucas palavras
E não são as universidades federais que "despejam" professores despreparados no mercado! Na década de 1990, calculava-se que 80% dos professores da rede pública estadual de São Paulo formaram-se em faculdades privadas. Em 2008, o MEC divulgou estudo segundo o qual 70% dos professores aptos a lecionar no ensino básico do Brasil formaram-se em faculdades e universidades particulares.
Andar na contramão da realidade pode provocar acidentes. No caso de Ioschpe, suas declarações entram em rota de colisão com o óbvio. Nem precisaríamos recorrer a teses de doutorado ou pesquisas financiadas por bancos ou assemelhados. Em novembro e dezembro de 2010, e neste mês de janeiro, o articulista publicou em três partes um artigo cujo título não é nada ambicioso: "Como melhorar a educação brasileira". Basta-nos ler (e brevemente comentar) alguns dos seus melhores momentos...
"Muitos professores chegam atrasados a suas aulas. Perdem tempo fazendo chamada, dando recados e advertências. É um desperdício" (Veja, 10/11/2010).
Correto. Mas essa constatação é insuficiente. Por que muitos professores chegam atrasados? E por que a chamada é tão prolongada (ao mesmo tempo que exigida pela burocracia escolar)? E por que cabe aos professores darem recados e advertências? Se Ioschpe fizesse as perguntas certas aos que vivem essas realidades estaria realizando verdadeira pesquisa empírica e acabaria por descobrir uma realidade que se pode resumir em poucas palavras: professores sobrecarregados e turmas com grande número de alunos.

Uma breve pesquisa informa o óbvio

Outro momento de Ioschpe, influenciado pelos noticiários sobre o Morro do Alemão:
"É curioso: nossos governantes criaram coragem para invadir o Morro do Alemão, mas as universidades públicas continuam sendo consideradas território perigoso demais para a ação saneadora do estado. Esculachar bandido armado de metralhadora é mais fácil do que peitar os doutores da academia, que permanecem livres para perpetrar seus delitos intelectuais" (Veja, 22/12/2010).
Mais do que curioso... é incrível que alguém possa, impunemente, comparar bandidos e professores universitários! Que tipo de "limpeza" deveria ser feita nas universidades públicas? Não seria o caso de imaginar que as particulares merecem igual ou maior rigor?

Um último parágrafo:

"Em termos de regime de trabalho, ao contrário dos desejos dos sindicatos, a maioria das pesquisas mostra que não faz diferença, para o aprendizado do aluno, quantos empregos o professor tem, se trabalha em uma escola ou mais" (Veja, 19/01/2011).
De novo, impressiona ler uma afirmação dessas. Será que, além de desconhecer a escola pública, Ioschpe ignora a realidade vantajosa das escolas particulares, cujos alunos obtêm os melhores resultados no Enem?
Uma breve pesquisa na internet informa o óbvio. As melhores escolas possuem laboratórios, computadores e biblioteca. Seus professores são bem remunerados, o que lhes permite dedicação exclusiva, ou quase exclusiva, com tempo necessário para prepararem aulas inovadoras, em geral empregando recursos tecnológicos. "

postado no BLOG DA PROFESSORA ODETE - segunda feira, 24 de janeiro de 2011.

Convite aos colegas- Assembleia da rede municipal no dia 03 de fevereiro!!!/Campos dos Goytacazes/RJ

Temos que participar.

Prof. Marcelo Soares
Atenção Profissionais da Rede Municipal de Campos dos Goytacazes!!!

O SEPE convida toda a categoria da rede municipal para assembleia que será realizada amanhã (dia 03 de fevereiro) as 17h na sede do sindicato, no Ed. Ninho das Águias, sala 514.
Pauta:

*Fundeb;
*PCCS;
*assuntos gerais.

Atenciosamente,
Cristini Marcelino - Diretora do SEPE Campos

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

MACHISMO E PRECONCEITO CONTRA AS MULHERES

Biógrafa da ex-presidente Michelle Bachelet diz que mulheres são mais cobradas no poder.Todos deveriam este livro.

A trajetória no poder da ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, descrita no livro "Bachelet en Tierra de Hombres", da jornalista chilena Patricia Politzer - livro de cabeceira da presidente Dilma Rousseff -, é uma espécie de biografia não oficial repleta de situações complicadas: dois terremotos, implementação de projetos impopulares, a fragmentação da base de apoio político, uma crise econômica internacional e até a erupção de um vulcão, bem como desencontros amorosos e problemas de família. Mas os trechos mais interessantes do livro são os que dizem respeito ao enorme preconceito enfrentado por uma mulher no comando de um país latino-americano com sua cultura machista e patriarcal.
Nessa seara, Dilma Rousseff terá uma aula e tanto sobre machismo no poder. Vai perceber que, se Bachelet trabalhava demais e pedia mais trabalho à equipe, não era considerada disciplinada. Era "workaholic, pouco eficiente e má". Se falava diretamente e com franqueza, não era um sinal de transparência, mas de "soberba e conflito na equipe". Patricia Politzer, ex-diretora da Secretaria de Comunicação e Cultura do Chile e ex-presidente do Conselho Nacional de Televisão chileno, acredita que os preconceitos enfrentados por Bachelet não serão muito diferentes dos que esperam Dilma no Palácio do Planalto. "Foi uma magnífica surpresa saber que a presidente Dilma está lendo meu livro. Sinto-me muito honrada", afirmou.
Quando e por que você decidiu pesquisar e escrever um livro contando a história de Michelle Bachelet?
PATRICIA POLITZER: Estive fora do Chile durante os primeiros seis meses do governo Bachelet. Quando voltei, me impressionei com a forma como a maltratavam. Isso vinha tanto de seus adversários políticos como de dirigentes de sua própria coalizão. Como jornalista e observadora da política chilena desde a década de 1970, nunca vi um tratamento tão absurdo e preconceituoso. Pareceu-me indispensável deixar um testemunho de seu governo quando os fatos ainda estavam frescos. Em minha pesquisa, fui descobrindo que existia um denominador comum que cruzava praticamente todos os temas: uma cultura patriarcal que carregamos grudada na pele tanto de homens quanto de mulheres.
A presidente conversou com a senhora para o livro?
PATRICIA: Eu pedi uma entrevista mas ela nunca me concedeu. Não sei se teve tempo de ler o livro.
Como foi o preconceito contra Bachelet? Você acha que esta é uma característica de sociedades machistas latino-americanas?
PATRICIA: Os preconceitos contra ela - e contra as ministras mulheres de seu governo - foram explícitos e implícitos. No dia em que assumiu, uma crônica no jornal "El Mercurio", o mais antigo do país, criticava acidamente sua ministra da Saúde, Soledad Barría, por não ter pintado seus cabelos brancos para a cerimônia! Suas atuações políticas eram analisadas sempre de uma perspectiva pessoal. Bachelet não cometia um erro, nem tomava uma decisão ruim. Simplesmente não servia, não sabia governar, não "tinha estatura". Durante três dos quatro anos de seu governo disseram que uma mulher jamais voltaria a governar o país. Os homens nunca sofrem uma crítica dessa natureza, nem quando algum político se mostra incompetente, corrupto ou um ditador. Esta visão foi compartilhada por seus adversários e aliados. O machismo segue forte em nossas sociedades de tal forma que o êxito das mulheres raras vezes se atribui a seu preparo ou a seus atributos. Busca-se insistentemente um homem, que geralmente é o responsável por suas ascensão e que a manipula para que seja bem sucedida. Bachelet cuidou conscientemente de não ter nenhum homem poderoso próximo do círculo do poder.
Você acredita que Dilma Rousseff vai enfrentar o mesmo nível de preconceito?
PATRICIA: Suspeito que, neste terreno, haverá dificuldades parecidas. Dilma Rousseff está à sombra de um presidente muito bem sucedido e popular, como é Lula, assim como Bachelet esteve próxima de Ricardo Lagos. Terá que ser muito forte para suportar preconceitos e críticas que só se fundamentam no fato de ela ser mulher.
Por que a política, no Chile, na sua opinião, é uma "tierra de hombres"?
PATRICIA: O poder, em qualquer de suas formas, continua sendo terra de homens. São poucas as mulheres no Parlamento, nas diretorias das empresas, nos altos cargos acadêmicos. Em qualquer círculo de poder, para que entre uma mulher deve sair um homem, e isso não é fácil. Michelle Bachelet abriu uma porta impensável há apenas dez anos. As chilenas já sabem que podemos chegar ao posto mais alto. Mas estamos muito longe da igualdade de gêneros.
Bachelet colocou em execução algum programa de valorização, profissionalização ou proteção à mulher?
PATRICIA: Bachelet esteve à frente de várias leis relacionadas à mulher, como o estabelecimento de igualdade de salários e a criminalização da violência contra a mulher, lei inclusive promulgada pelo presidente Sebastián Piñera. Mas a violência e a discriminação continuam.
O rigor de Michelle Bachelet com abusos na ditadura militar no Chile e agora os gestos de Dilma Rousseff na direção da apuração de culpados no Brasil têm relação (vítimas de tortura e perdas) com o fato de serem mulheres em "tierra de hombres"?
PATRICIA: Este rigor transcende a questão do gênero. As violações aos direitos humanos continuam sendo uma ferida aberta para muitos cidadãos da América Latina. Ambas são parte dessa história dolorosa, e sua chegada ao poder constitui uma forma de reparação para milhares de vítimas. Diante dessa perspectiva, milhões de democratas esperam delas essa atitude.
Fonte: O Globo